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BLOG DO CASTANHA

Crítica de Ariano Suassuna sobre o forró atual

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COLABORAÇÃO DO LEITOR SILVIO BAGETTI

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Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
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Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:  Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),  Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
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Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.
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Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
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Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.
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Ariano Suassuna.
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Observação do leitor Silvio Bageti:_____________________

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O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda Calypso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de 'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.
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Realmente, alguma coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha'. Aonde vamos parar? Como podemos querer pessoas sérias, competentes? E não pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e atendem. Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer outro tipo de ruído.
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Última atualização ( Qui, 04 de Fevereiro de 2010 02:46 )  

Causos de Jornalista

JOSÉ LUIZ TRUAN

22.06.2010 |
JOSÉ LUIZ TRUAN - Ele, pessoalmente, não vai gostar muito do que estou revelando neste texto. É um homem reservado, não gosta contem sua história. Recentemente, completou 90 anos de vida, e como qualquer outro jovem, continua trabalhando diariamente, no seu restaurante “Taverna Suíça” (fundado em agosto de 1968), por que precisa se manter economicamente, sobreviver como os demais brasileiros. Quando Gravatá era apenas um caminho para Caruaru e Garanhuns, naquela metade da década de 60, o suíço-espano José Luiz Truan assentava o primeiro tijolo no alicerse do que seria a “Gravatá Cidade Turística” com a construção do seu Hotel Suíço (hoje extinto) e logo depois o Restaurante Taverna Suíça. Ele introduziu a fondue na culinária gravataense e fez com que muita gente subisse a Serra das Russas para degustá-la – um hábito salutar de 42 anos vividos por várias gerações. A Fondue é o mesmo daquele inicio. José Luiz Truan aprendeu a receita da Fondue, no local onde os pastores de ovelhas suíços descobriram este prato. Nas colinas da Suíça onde se abrigavam do frio. Uma fogueirinha, a água com óleo fervendo, a imersão da carne e a Foudue, era a receita que o soldado José Luiz Truan, - que aos 16 anos fora convocado para lutar na Guerra Civil Espanhola e saíra ferido por mais de uma vez – experimentava nos acampamentos das suas campanhas bélicas. Filho de mãe espanhola da província de Gijon e de pai suíço da nobreza rural de Faud, José Luiz Truan teve uma juventude cheia de aventuras. Lutou como soldado na Segunda Guerra Mundial e teria sido dado como morto, depois de ter participado de uma sangrenta batalha no solo de neve russo de Lenigrado. Era do pelotão de caçar tanques de guerra do inimigo e destruí-los. Terminada Guerra, trabalhou durante anos até que veio para América do Sul. Entrou no Brasil através do Equador pela Selva Amazônica. Um dia os caminhos da vida lhes trouxeram para Recife. Trabalhou em restaurantes e conheceu Madalena, sua esposa, com quem teve duas filhas – Ana e Katarina, que residem na Europa. Em 1964 foi convidado para trabalhar em Garanhuns, certamente no Hotel Tavares Correia. Antes de chegar a cidade das 7 Colinas, parou em Gravatá, e nunca mais saiu daqui. Sou apenas um jornalista. Mas a vida heróica de José Luiz Truan enche de fascínio qualquer biografo na caça de uma boa história. Gravatá deve toda essa história de “Cidade Turística”, ao visionário José Luiz Truan que introduziu um pouco da cultura suíça, dos chalés e da gastronomia, Não deixe de saborear esta história com o mais autêntico e delicioso prato da cozinha suíça – A Fondue, prepara e servida na Taverna Suíça de Gravatá. Faça sua reserva pelo telefone 3533.0299. Read more...

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Sobre o Autor

Author Cláudio Castanha é Jornalista atuante com mais de 25 anos de experiência. Atualmente reside em Gravatá - PE.